sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Mutamba, mutamba mutamba

Andei pela primeira vez de Kandongueiro em muitos anos de Angola.
Não sei se este conta, porque estava lá dentro cheio de pulas, mas que faziam tanto barulho como os angolanos em hora de ponta.
O sentimento foi de euforia e de trabalho completo. Posso finalmente riscar da lista de coisas a fazer a 8º maravilha de Luanda, que é andar de kandongueiro.
e para quem não sabe o que é um kandongueiro, aqui fica a imagem de um (que além do mais leva ao extremo as questões do novo acordo ortográfico).

 
para quem não sabe dos poderes que tem:
leva gente, muita gente, a lugares impensáveis, onde nunca antes se chegara

domingo, 4 de agosto de 2013

O dia de hoje merece um registo. Porque começou da mesma forma de sempre, no meio do trânsito caótico para chegar a uma cidade desesperada.
Contudo, as expectativas de uma vida normal e saudável numa cidade desesperada como Luanda, são uma cada vez maior utopia.
Seguia do Kinaxixi para os Combatentes, naquela via que está metade ocupada com uma obra que dura há meio ano e não ha forma de terminar, quando passa um carro da polícia, que levava detidos dois "lavadores de carros". Dia de ficalização pensei.
Uns baldes na parte de trás do carro indiciavam o crime de lavar viaturas na via pública. Há outros crimes passíveis de punição na via pública, tal como zungar para poder pagar o jantar dos filhos. Quando conversava a pessoa que me acompanhava sobre esta situação e o facto de a vida em Luanda sem impossível sem as zungueiras e vendedores de rua, pois sejamos realistas ninguém vai ao Panguila comprar fruta e tabaco para a semana, apercebemo-nos de que a mesma fiscalização está 20 m à frente a tentar deter uma mulher que vendia na rua.
Esta situação criou uma convulsão social. De um lado os vendedores de rua, do outro os polícias.
Sucede que os vendedores são muitos mais, e quando se trata de jogar ao jogo da corda com a Zungueira, conseguiram resgatá-la da polícia. A situação começou a aquecer, não houve panelas no ar, mas muita gente a xinguilar. Todos sabemos como reage uma matilha, ataca em conjunto. Foi o que aconteceu e os números fizeram-se valer.
A polícia faz com que a população furiosa disperse, mas não para  muito longe. A uma distância que possibilitasse o aremesso de pedras para a viatura da polícia e das que estava à volta. O caos instalou-se, os carros tentavam recuar mas a fila já devia chegar à Mutamba. Não havia escape possível. As pessoas abandonavam os carros em pânico...Até que a polícia desistiu.
Saldo: carro da polícia destruído assim como os da envolvente. De quem é a culpa... aqui, morre sempre solteira.

Ainda tive tempo de ouvir pelo canto do ouvido dizer quem me ladeava: O povo anda muito descontente.
Mas nãos nos preocupemos, eles são só 300.

sábado, 20 de abril de 2013

À roda da vida

Há momentos na nossa vida, cujas fotografias equivalem por mil palavras, porque as primeiras deixam de ser ditas e as segundas permanecem.
De repente faz-se um silêncio na nossa vida, que é preenchido de muitas outras formas, cores e texturas que desconhecíamos. Mas passamos a conhecer e a reconhecer nos outros os mesmos padrões.
São estes pequenos momentos que alavancam a mudança, são pequenos momentos (porque são curtos no tempo, mas longos na memória) como estes que te fazem recomeçar quando pensávamos que estava tudo feito.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

À água o que é da água.

 
Nunca este ditado teve tanto significado como em Angola.
De repente o céu faz-se de noite e as gortas começam a cair. Primeiro a brincar, como se fossem crianças a salpicar, depois mais aventureiras como os adolescentes que enfrentam tudo, por fim como se o fim do mundo estivesse por trás daquela pedra, que hoje se tranformou em cascata.
Quando a chuva é tão forte que não consegues ouvir os teus pensamentos... Sabes o que é? É aquele momento em que pairas, e lá trás, e a toda a volta e mais adiante só se ouve o rugir da água e uma melodia escondida.

http://youtu.be/SWSz_PAfgNc

a música de (quase) todas as viagens

Quando já quase nada tem direitos, eis que uma simples molécula reclama a si tudo o que de direito lhe pertence.