Vejo as coisas e ouço músicas, não porque seja louca, mas porque já quase tudo se disse sob a forma de canções.
Tenho pensado numa que só o título diz tudo sobre Angola:

Ouvia atentamente na rádio local que era o dia mundial do motorista, ou algo semelhante. Para o comemorar nada melhor que chamar os nomes sonantes para discutir a mortalidade rodoviária.
O locutor revelava que é a sinistralidade rodoviária a segunda maior causa de morte em Angola, a seguir à Malária. O objectivo era apurar as causas de tamanho flagelo.
Abismada ouvi a enumeração das mesmas: estradas mal construídas, falta de sinalização, e um rol de informações desnecessárias.
Porque não começamos pelo início? Será que ninguém equaciona a falta de civismo?
Talvez devessemos começar por aí.
Lição número 1: leva uma colchonete se quiseres fazer praia na Croácia. As praias de calhau rolado calcário ferem as costas…
Lição número 2: não te deixes entusiasmar pela primeira praia que vês: a seguinte é muito melhor.
Lição n.º 3: leva uns chinelos para a água que não te saiam dos pés (esta é para a Parceira que faltou este ano).
Após uma conturbada hora de praia, entre frio e calor, banho de água quase gélida e etc, decidimos que era hora de darmos outro rumo à nossa vida.
Ora, lendo o guia tudo indicava que Labin e Radan eram bons destinos finais. O conselho para fazer a pé os km que separam estas duas cidades é que não era tão aliciante.
Bom, lá fomos nós. Radan primeiro: o mar, que mar! Transparente como os do meu avô.
Uma baía de pedras brancas, com pequenos restaurantes a ocupar a marginal.
Entretanto começou a chover. Abrigámo-nos para o café.
Daí partimos para Labin: parece uma cidade museu. Nas paredes há inúmeras inscrições que nos lembram que estamos numa terra de resistentes ao fascismo italiano. Por todo o lado aparecem as estrelas socialistas a indicar que a casa foi habitada por um membro do partido comunista ou por um resistente ao Duce. Muitos morreram jovens, a prová-lo está o conjunto de estátuas que ladeiam as muralhas.
Muitas das coisas estão escritas em Italiano ainda, conseguindo assim o comum dos mortais de língua latina interpretar o que está escrito.
Labin é uma cidade encantadora, parece saída de um conto de fadas. Em pano de fundo ouvem-se as crianças a ensaiar as músicas. Parece haver muito por trás destas paredes seculares.
Depois de explorar Labin, decidimos retomar a cruzada para Sul. O local mais provável era Rijeka ou perto, Opatjia. Optámos pela segunda. Uma cidade com tons neo-clássicos. Parecia o Estoril!
Ficámos num aparthotel agradável, mas caro (60 €/noite sem pequeno almoço). Em Opatjia fizemos a melhor refeição de toda a viagem. Recomenda-se o restaurante Hemingway que fica do outro lado (mesmo do outro lado) da cidade, junto da marina. É um local reservado, mas com uma cozinha chique. Embora tenhamos comido frango (tal como ao almoço), mas comemos com classe.
É sexta à noite: o que se faz na Croácia??? Nada, pelo menos em Opatjia. Parece que o mau tempo fez com que todos se recolhessem aos aposentos. Embora com fama de boa animação nocturna, só vimos uns bares mal amanhados com turistas de fundo de garrafa e um bar de karaoke, num imponente hotel lá do sítio. Abba??? Nem pensar. Fomos para casa dormir.