quinta-feira, 26 de abril de 2018

25 Abril Sempre!

(entre outras coisas traz-me saudades de casa)

sexta-feira, 2 de março de 2018

Recentemente visitei o Rwanda e a República Democrática do Congo.
Já vejo corações a palpitar e também já sei, foi uma irresponsabilidade. Dizem todos o mesmo. O Congo é um país em conflito, tem milhares de migrantes internos e para os países contíguos, não se conseguem distinguir os milicianos dos rangers do Parque Nacional de Virunga ou dos outros militares, etc. etc..
O Congo é um dos países mais ricos do mundo, vetado a uma pobreza extrema. Um contrasenso total.
Milhares de crianças povoam as ruas de Goma, na região do Kivo na fronteira com o Rwanda, num cenário que me fez lembrar em tudo Angola: bagunça, sujidade, lojas que vendem tudo, motas por todo o lado, pessoas em todo o lado. A única diferença é a forte presença das Nações Unidas , onde um contingente de 18.300 capacetes azuis se faz notar a cada esquina.
O parque nacional  de Virunga é aparentemente seguro e tranquilo, ou talvez seja a doçura dos Gorilas e a assombro de olhar para um vulcão activo que nos fazem esquecer os riscos a que estamos sujeitos em tal ambiente. Nas estradas essa sensação dissipa-se, há barricadas em todas as vilas com postos de controlo, és acompanhado por um ranger armado durante todo o percurso e precisas de autorização para atravessar os postos de controlo, milhares de pessoas vestidas com fardas militares, capacetes azuis a cruzarem a alta velocidade e helicópteros a sobrevoarem o parque. Se a experiência value a pena? Sim, valeu, principalmente se pensar que provavelmente quando os meus filhos tiverem idade para visitar o PNV já não haverá gorilas de montanha.
Bom adiante, tudo isto para falar sobre os clichés de África.
O choque.
Houve duas coisas que me chocaram nesta viagem, profundamente devo dizê-lo. O primeiro foi o museu do genocídio em Kigali, que relata ponto por ponto, cronologicamente, as raizes do genocídio e a sua perpretação. É angustiante ver a origem da natureza humana e pensar que realmente somos feitos de ódio. No fundo, somos todos bons, mas fervilhando em ódio. Só precisamos de um motive para deixar escapar cá para fora a nossa verdadeira essência. Estima-se que cerca de 1.000.000 de pessoas tenham sido chacinadas (usando entre outras catanas, machados e outras armas rudimentares), 2.000.000 de mobilizados nos países contíguos e cerca de 500.000 órfãos. Os relatos são na primeira pessoa e são devastadores. Houve delações de amigos, vizinhos, familiares e participação dos mesmos no genocídio. Não sei como se sobrevive a isto. Tu mataste o meu filho, tu delataste-nos, fiquei órfão, perdi tudo na vida. Como diz a música, it could be me, it could be you.
O mais inquietante é pensar que a paz actual poderá ser a prazo. Não se sabe quando, mas poderá ter um prazo.
A outra coisa que me chocou foi a percepção, nua e crua, do que significa alteração do uso do solo e desflorestação. O Rwanda, um país verde e magnífico, não tem um 1cm2 de área florestal, além dos Parques Nacionais e alguns polímeros, adivinhe-se, de eucaliptos. Toda a área está ocupada pelas populações para habitação e agricultura. É um choque brutal! montanhas inteiras ocupadas com casas, plantações de chá, pequenas hortas comunitárias e familiares. Nem um macaco nos interstícios. Aí entendi o que significa excesso de população e que é claramente o que esta a destruir o nosso planeta. É um cenário devastador, fiquei boquiaberta com tal.
Tudo isto serve para dizer que acho que temos que começar a investir no controlo populacional. O Rwanda é do tamanho do Alentejo e tem 10.000.000 de habitantes, a Tanzânia tem mais de 52,482,726 de habitantes (estimativa 2016), and so on and so forth... Aqui se vê que o nosso problema é excesso de gente no mundo. A Terra é um espaço limitado, não há espaço para todos, sobretudo não há recursos para todos. O maior problema associado a este crescimento exacerbado da população encontra-se relacionado com o facto de este ter lugar nos ditos países em desenvolvimento, onde não há orçamento para saúde, educação, planeamento familiar, apoio à maternidade, nem emprego. Estes países, em poucos anos, serão insustentáveis. O que vai acontecer às pessoas? o que nos vai acontecer a todos?
Um pedido só: quando assinam acordos, por favor cumpram-nos. Pode ser que nos salvemos da extinção.
Entretanto, também podemos tentar salvar estes bichos fofinhos chamados gorilas de montanha. Vá lá, se não se interessam pelo bicho homem pelo menos façam algo por este.







sexta-feira, 9 de setembro de 2016

Há mais de 3 anos que abandonei o meu blog.
Há 3 anos a minha vida deu uma reviravolta que me levou a abandonar a escrita e a dedicar-me a outras funções. Há 3 anos nasceu a minha filha.
Depois dela nascer, descobri outros predicados em mim, como por exemplo, que ser mãe é a melhor coisa do mundo e que até tenho jeito. Descobri que passo muitas mais noites acordada agora que as que passei nos wild years da minha vida.
Descobri que há coisas mais importantes que o trabalho. Descobri o que é ter uma família. Descobri que afinal consigo ser uma pessoa organizada, no meio do caos de fraldas, refeições, horários, escolas e actividades.
Depois desta revolução, mudadecasamudadevidamudadeempregomudadeestadomudadeprioridades, mudámos de oceano. Continuo do lado contrário, que por acaso continuo a achar ser o certo, mas noutro país: a República Unida da Tânzania.
Um país onde há um punhado de portugueses residentes (sabe-se lá a fazer o quê) e umas centenas de descendentes de Goeses, de Damão e Diú. Pode dizer-se uma comunidade extensa, mas diversificada e bastante desagregada, que em nada se assemelha à experienciada em Angola, onde residiam cerca de 200.000 portugueses. Foi assim que perdemos o amparo da nossa rede: deixámos para trás os amigos que conquistámos nos últimos 7 anos, a casa recém mobildada, as carreiras e zarpámos. Se olhei para trás? Muitas vezes, mas aqui reconstruímos a vida, aprendemos a língua local, procurámos casa, comprámos mobília para a tornar nossa e pusemos umas andorinhas no alpendre para não nos esquecermos de onde viemos (e no princípio era o verbo...).
Por fim, abastecemos o frigorífico de bacalhau na primeira viagem a Portugal e cantamos canções do Zeca para embalar as crianças.
Agora já nos podemos sentar no sofá, olhar em redor e chamar-lhe lar.
Agora já tenho tempo para escrever. Esperemos.

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Mutamba, mutamba mutamba

Andei pela primeira vez de Kandongueiro em muitos anos de Angola.
Não sei se este conta, porque estava lá dentro cheio de pulas, mas que faziam tanto barulho como os angolanos em hora de ponta.
O sentimento foi de euforia e de trabalho completo. Posso finalmente riscar da lista de coisas a fazer a 8º maravilha de Luanda, que é andar de kandongueiro.
e para quem não sabe o que é um kandongueiro, aqui fica a imagem de um (que além do mais leva ao extremo as questões do novo acordo ortográfico).

 
para quem não sabe dos poderes que tem:
leva gente, muita gente, a lugares impensáveis, onde nunca antes se chegara

domingo, 4 de agosto de 2013

O dia de hoje merece um registo. Porque começou da mesma forma de sempre, no meio do trânsito caótico para chegar a uma cidade desesperada.
Contudo, as expectativas de uma vida normal e saudável numa cidade desesperada como Luanda, são uma cada vez maior utopia.
Seguia do Kinaxixi para os Combatentes, naquela via que está metade ocupada com uma obra que dura há meio ano e não ha forma de terminar, quando passa um carro da polícia, que levava detidos dois "lavadores de carros". Dia de ficalização pensei.
Uns baldes na parte de trás do carro indiciavam o crime de lavar viaturas na via pública. Há outros crimes passíveis de punição na via pública, tal como zungar para poder pagar o jantar dos filhos. Quando conversava a pessoa que me acompanhava sobre esta situação e o facto de a vida em Luanda sem impossível sem as zungueiras e vendedores de rua, pois sejamos realistas ninguém vai ao Panguila comprar fruta e tabaco para a semana, apercebemo-nos de que a mesma fiscalização está 20 m à frente a tentar deter uma mulher que vendia na rua.
Esta situação criou uma convulsão social. De um lado os vendedores de rua, do outro os polícias.
Sucede que os vendedores são muitos mais, e quando se trata de jogar ao jogo da corda com a Zungueira, conseguiram resgatá-la da polícia. A situação começou a aquecer, não houve panelas no ar, mas muita gente a xinguilar. Todos sabemos como reage uma matilha, ataca em conjunto. Foi o que aconteceu e os números fizeram-se valer.
A polícia faz com que a população furiosa disperse, mas não para  muito longe. A uma distância que possibilitasse o aremesso de pedras para a viatura da polícia e das que estava à volta. O caos instalou-se, os carros tentavam recuar mas a fila já devia chegar à Mutamba. Não havia escape possível. As pessoas abandonavam os carros em pânico...Até que a polícia desistiu.
Saldo: carro da polícia destruído assim como os da envolvente. De quem é a culpa... aqui, morre sempre solteira.

Ainda tive tempo de ouvir pelo canto do ouvido dizer quem me ladeava: O povo anda muito descontente.
Mas nãos nos preocupemos, eles são só 300.

sábado, 20 de abril de 2013

À roda da vida

Há momentos na nossa vida, cujas fotografias equivalem por mil palavras, porque as primeiras deixam de ser ditas e as segundas permanecem.
De repente faz-se um silêncio na nossa vida, que é preenchido de muitas outras formas, cores e texturas que desconhecíamos. Mas passamos a conhecer e a reconhecer nos outros os mesmos padrões.
São estes pequenos momentos que alavancam a mudança, são pequenos momentos (porque são curtos no tempo, mas longos na memória) como estes que te fazem recomeçar quando pensávamos que estava tudo feito.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

À água o que é da água.

 
Nunca este ditado teve tanto significado como em Angola.
De repente o céu faz-se de noite e as gortas começam a cair. Primeiro a brincar, como se fossem crianças a salpicar, depois mais aventureiras como os adolescentes que enfrentam tudo, por fim como se o fim do mundo estivesse por trás daquela pedra, que hoje se tranformou em cascata.
Quando a chuva é tão forte que não consegues ouvir os teus pensamentos... Sabes o que é? É aquele momento em que pairas, e lá trás, e a toda a volta e mais adiante só se ouve o rugir da água e uma melodia escondida.

http://youtu.be/SWSz_PAfgNc

a música de (quase) todas as viagens

Quando já quase nada tem direitos, eis que uma simples molécula reclama a si tudo o que de direito lhe pertence.