quarta-feira, 2 de junho de 2010

Se eu soubesse escrever

Aqui há dias o meu primo pedia-me para lhe enviar em mp3 "quando eu morrer" do Fausto.
Isso teve o efeito de despertar em mim uma vontade imensa de re-ouvir a Preto-e-Branco.
Se soubesse escrever também gostaria de escrever assim.
Aqui fica um dos mais deliciosos poemas do album, para quem sabe ouvir mas não pode ler.

"eu queria escrever-te uma carta
amor,
uma carta que em dissesse deste anseio,
deste anseio
de te ver
deste receio
de te perder
deste mais que bem querer que sinto
deste mal indefinido que me persegue,
desta saudade a que vivo todo entregue

Eu queria escrever-te uma carta
amor,
uma carta de confidências intímas
uma carta de lembranças de ti,
de ti
dos teus lábios vermelhos como tacula
dos teus cabelos negros como dilôa
dos teus olhos doces como macongue
dos teus seios duros como maboques
do teu andar de onça
e dos teus carinhos
que maiores não encontrei por aí...

Eu queria escrever-te uma carta
amor,
que recordasse os nossos dias na câpopa
das noites perdidas no capim

que recordasse a sombra que nos caía dos jambos
o luar que se coava das palmeiras sem fim
que recordasse a loucura da nossa paixão
e a amargura da nossa separação... eu queria escrever-te
uma carta
amor,
que a não lesses sem suspirar
que as escondesses de papai Bombo
e que a sonegasses de mamãe Kiesa
que a relesses sem a frieza
do esquecimento
uma carta que em todo o Kilombo
outra a ela não tivesse merecimento

Eu queria escrever-te uma carta
amor,
uma carta que ta levasse o vento que passa
uma carta que os cajus e cafeeiros
que as hienas e as palancas
que os jacarés e os bagres
pudessem entender
para que se o vento a perdesse no caminho
os bichos e as plantas
compadecidos de nosso pungente sofrer
de canto em canto
de lamento em lamento
de farfalhar em farfalhar
te levassem puras e quentes
as palavras ardentes
as palavras magoadas da minha carta
que eu queria escrever-te amor

Eu queria escrever-te uma carta...
Mas, ah, meu amor, eu não sei compreender
por que é, porque é, porque é, meu bem
que tu não sabes ler
e eu- Oh! Desespero- eu não sei escrever também!

quarta-feira, 19 de maio de 2010

segunda-feira, 17 de maio de 2010

MacGyver de aeroprto

Todos sabemos que vivemos na era do medo. Na era do pânico, conscientes de que o cidadão x pode ser um qualquer bombista insatisfeitos com séculos de subserviência perante a Europa e os Estados Unidos.
Mas nós, europeus, continuamos a viver sobre a égide da suprema segurança. Aguentamos com regras de segurança completamente idiotas, mas que compreendemos tratar-se de um mal menor. Ajamos então em prol da Civilização.
Contudo, há sempre aquilo que se designa por excesso de zelo, com especial ênfase nos aeroportos.
Se falarmos de um aeroporto em Angola, então a coisa complica mesmo.
Toda a gente sabe que dentro de uma carteira de uma mulher há um conjunto de coisas completamente inúteis, dispensáveis dirão os homens, e que só estorvam na maior parte do tempo, mas que em dada ocasião já foram ou poderão vir a ser úteis.
Uma dessas coisas é a pinça. Não há objecto mais precioso, é sempre necessário.
Experiência: trazer uma pinça na carteira no aeroporto doméstico de Luanda.
RX, esse metodologia recentemente descoberta, mas muito versátil e que se revelou de grande utilidade para detectar frascos de perfume nas carteiras das senhoras.
Eis que a pinça é detectada.
Diz o senhor do outro lado: tem pinça aí dentro!
Eis que a dama, do outro lado estupefacta, balbucia: sim, e?
E?? Tem que deixar?
Porque, continua incrédula do outro lado.
Porque sim!
mas está a gozar comigo?
Um não rotundo desenhou-se nos lábios...
Entretanto alguém murmura: pois é, uma mulher munida de uma pinça, pode-se enfurecer e atacar alguém no avião!
Haja gente sadia neste mundo.
mas hoje senti-me como um iraniano a tentar entrar no espaço Shengen.
Agora só espero que não acusem de conspiração a amiga que traz uma nova pinça da Europa!

quinta-feira, 11 de março de 2010

all we need is

I'm not like you Guys, You can just leaaaaave....

E então saímos, e vejam o que encontrámos.

É tão boa a liberdade!

sábado, 6 de março de 2010

terça-feira, 2 de março de 2010

A suprema humilhação...

A suprema humilhação foi algo que gozei estes útlimos dias.
Como se não bastasse estar num campo onde temos 3 vedações de arame farpado e uma linha de água, do outro lado o rio Zaire e 3 portões, horários de entrada (22:30 à semana e 00:30 ao Sábado), ainda nos colam números na roupa interior (e na outra também). Mas é mesmo preciso?
Senti-me verdadeiramente como um condenado num campo de concentração. Números nas cuecas???!!! É a suprema humilhação é o que vos digo, o golpe final, a machadada na democracia...
Além do mais, aquela incineradora a funcionar à noite, a deitar fogo pelas ventas, não é mera coincidência...
Welcome to Little America! Have a nice holliday...