quinta-feira, 19 de abril de 2012

Argentina em imagens











Correr para querer (mais)

Lições de vida: a Argentina em 2 semanas!
Não é uma lição de vida, é impossível. Esta é logo a primeirissima ilação a tirar.
Segunda lição, não confiar no que nos dizem os Aregentinos, bem me diziam as minhas amigas Madrilenas... Infelizmente não ouvi os vossos conselhos.
3ª lição, ler o Guia com atenção antes de fazer os primeiros 1000km de carro.
Enfim, o programa só tinha uma entrada e uma saída: partida de Mendoza, retorno a Mendoza.
Como veremos ao longo deste enorme capítulo, tal nãos e mostrou exequível. Mas acho que só na minha cabecinha (e no guia michelin) conseguiria percorrer a Ruta Nacional 40 entre Mendoza e El Calafate em 30 horas...
Os km são mais que muitos, as estradas mais que longas, as paisagem a perder de vistas, mas no final de tudo resta-me uma felicidade sem fim.
Sem fim de 7.700km brutais, entre os Andes e a Costa, entre o frio glaciar e as Pampas polvilhadas de amarelo, entre o infinito dos lagos e os milénios dos Alerces...
Sei que outro tanto ficou por ver, mas as aventuras num Chevrolet corsa retornarão noutro formato em 2014!
Aqui ficas as imagens, porque não consigo dizer apenas 1000 palavras.

5*5

5 é um número certo. Certo como cerrar a mão e formar um punho em força. 5 é um número de força, 5 é uma redundância.
5 dedos da mão conto de anos que estou em Angola.
Nestes 5 anos de vida, porque aqui tive começar outra vida, vivi muita coisa... para ser lembrada e para ser esquecida.
Em 5 anos, percorri 3 continentes: visitei África, visitei a América e voltei à Europa. Deu tempo para dar a volta à terra que nos viu nascer, deu tempo para dar a volta à vida.
Por vezes penso no que levo eu daqui: certamente um bom punhado de amigos, de memórias e muitas aventuras. Muitas e muitas por contar, mas muitos as hão um dia de contar por mim.

sábado, 10 de março de 2012

Para além do arco-íris

Eu vi com estes olhos que a Terra um dia há-de comer, da água brotar um arco-íris. Para ser mais precisa, não era um, eram dois.
Duas perfeitas arcadas delineavam o ar no local onde o mundo parecia estara ser engolido.
Muitas vezes penso na frase de Brecht: "do rio que tudo arrasta se diz violento, mas ninguém diz violentas as margens que o comprimem". Aqui olhei o rio a transbordar as margens que o oprimem, pensado como é brutar a força da Natureza.
Como somos pequeninos numa paisagem tão maior que nós.
Sentada no Zimbabwé, numa qualquer pedra onde antes se sentou certamente Dr. Livingstone, senti-me assoberbada por aquilo que a Natureza nos reserva.
Correndo o risco de parecer a minha avó, só me ocorria que de facto não somos nada. Que no meio do curso de um rio desponte a maior queda de água do Mundo e que depois disso o Zambezi continue a vaguear, entre meandros, até chegar a Moçambique.
As Quedas Vitoria estranguladas entre o Zimbabwé e a Zâmbia, são um dos Highlights de África.
Depois um dia ter pisado aquelo território avassalador, nunca mais a nossa percepção da Natureza é a mesma.
Debaixo de uma chuva permanente causada pela condensação da água da queda, quase não se consegue respirar. Não há coração que não vacile em Victoria Falls. Parte do meu ficou por lá, nesse canto de África.
Alguns registo, poucos porque por cobardia não quis estragar a máquina.

domingo, 8 de janeiro de 2012

Era uma vez um lugar chamado São Tomé e Príncipe



Sempre ouvi o meu pai dizer que se houvesse um paraíso na terra, este seria São Tomé e Príncipe.
Quando somos novos tendemos a menosprezar o que os nossos pais nos dizem.
Quando cresci apercebi-me que não vou para o Paraíso quando morrer, por vários motivos alheios a esta conversa, e assim decidi que iria procurá-lo em vida.
Agora que a idade me deu a oportunidade de dar uma oportunidade aos meus pais, decidi ir a São Tome e Príncipe já que era aqui ao lado e tinha amigos disponíveis.
Mais uma vez não tive tempo de preparar a viagem, mas não há nada que um guia e uns amigos no local não resolvam.
E assim foi, parti a São Tomé e Príncipie no dia 6 de Novembro de 2011, em busca do último reduto de paraíso na Terra.
A chegada a São Tomé é deliciosa, de repente o azul do mar passa a ser turqueza e de repente suspende-se a respiração e é um encantamento total.
A aterragem não é pacífica, mas longe dos relatos infernais do século passado.
Chegando em Novembro ainda não se faz sentir o impacto do calor e da humidade e o ambiente está muito agradável.
O primeiro que salta à vista é o azul, rectificando, os vários azuis. Há azul turqueza, azul água, azul céu, azul escuro, azul-esverdeado, azul acinzentado.
Depois as nuvens, ora cinzentas ora brancas, sempre a ocupar todo o espaço livre. o que resta, fica a cargo da humidade...
São Tomé e Príncipe impressiona e arrepia.
Arrepia o silêncio das noites nas roças sem electricidade (obrigada sr. Januário da Roça de Belo Monte) que nos proporcionou um quarto na sua fazenda e um belo pequeno almoço.
Nas Roças, é preciso avisar com antendência a chegada. Os recursos são parcos e o gerador mantém-se desligado bem como o gás do fogão, a não ser que anunciem a chegada.
O cheiro de café que atordoa o ar durante a noite nas fazendas iluminadas pelas estrelas.
Antes de chegarem a Belo Monte, recomenda-se um pit stop em Neves para uma Santola. O lugar tem o mesmo nome, mas não é bem um restaurante... é mais um tasco, com renome mundial, mas um tasco.
A Santola é o prato do dia e tem que ser acompanhada pela Sorema de 600ml. Os resultados podem ser catastróficos, mas o bem que sabe!
A recompensa dos audazes! um prato de santolas.
Na mesma rota, antes de chegar a Neves, passa-se pela Praia Azul. água faz jus ao nome. Imagine-se que parece a Irlanda, mas com Embondeiros.
A Aventura pelo interior da Ilha vale a pena. entre curvas e contra curvas e caminhos de cabra mais ou menos apertados, acabámos por chegar ao Parque Nacional do Obo. Não acredito que muitos turistas consigas fazer este percurso, o qual só fizemos pela persistência do nosso homem e porque em vez de encontrar uma queda de água, encontrámos uma estação de tratamento de água. Uma coisa levou a outra e um túnel cheio de morcegos demoveu-nos de chegar mais longe. Não me perguntei por onde fui, só sei que não fui por aí... Por entre veredas.
Agora o Príncipe.
Se São Tomé é deslumbrante, o Príncipe assusta. É como São Tomé mas em estado bruto. Segundo o Guia Santo António é a mais pequena cidade do mundo digna desse nome. A Ilha é minuscula e apenas o Ilheu Bombom parece atrair turistas.
Mas uma visita à Fazenda Sundy e à praia Banana já pagam esta viagem e claro, os mil e um sorrisos das crianças.
Em Santo António conhecemos um casal Sul Africano que se encontra neste remonto lugar do mundo a ensinar inglês às criançsa Santomenses. Qual a finalidade, interrogo-me quando vejo que nem salas de aula têm, nem quase nada do que consideramos básico.
Pelo turismo e porque um excêntrico milionário comprou quase tudo neste pequeno paraíso terreno para direccionar a ilha para o turismo.
Das salas de aula ficou-me a saudade da escola primária. Olhei e vi as minha carteira.
De Príncipe, fica também a chuva, que molha tolos e os outros também e quase não deixa levantar o avião que nos levaria para São Tomé.
De São Tomé e Príncipe, fica uma vontade de volta para as coisas da terra, os sabores do peixe, os "mosquitos" no arroz, as folhas de micóco (Acho que é assim), o cacau, a banana, a fruta pão, os sorrisos e a certeza que com muito, mas muito pouco se pode fazer um mundo melhor. Todos os dias!
Em São Tomé seria bom olhar para o futuro...
Resta-me dizer: querido pai, tinhas razão!

sábado, 26 de novembro de 2011

às voltas do Equador

Já não escrevia desde as minhas últimas andanças pelo outro lado do Atlântico, mas parecem agora os únicos momentos que me fazem escrever.



Os momentos dos caminhos palmilhados.



Último destino, São Tomé e Príncipe, ou o último paraíso na Terra como também é conhecido.


E para prová-lo, ficam algumas imagens.















E o mais surpreendente é constatar-se que com tão pouco se pode fazer tanto...

E querido Pai, vou voltar com mais fotos e um relato digno de registo.

terça-feira, 19 de julho de 2011

O Peru Glu Glu

Vou contar a história sobre um país que existia na minha memória e desapareceu.

Durante anos planeei uma viagem monumental ao Peru. Não que fosse a primeira opção na América latina, mas parecia a mais plausível.

Durante anos plantámos na imaginação os lugares e as pessoas relatados nas Viagens de Che Guevara (Motorcycle Diaries de Walter Sales). Engane-se quem pense que é o mesmo que vai encontrar. De mochila às costas, partimos para uma viagem que acalentou os nossos sonhos...

Nós, os europeus, criámos no nosso imaginário um subcontinente de fantasia, onde o imaginário prevalece sobre tudo o resto. Um subcontinente de aventura, revolucionário, incontestavelmente vindo do país das maravilhas, onde a autenticidade é o mote.

Quando chegas ao Peru na realidade não encontras nada disso.

Encontras sim um país onde o turismo domina todo o espaço. Um país onde te vendem a ideia de ser demasiado perigoso e onde ficas rendido ao mercado incessante dos operadores turísticos que te levam onde todos os outros vão. Chegas a ficar sufocada!

Não vês certamente o que Walter Sales te mostrou, tudo parece isento de autenticidades, excepto os bairros da lata de Lima como alguém fez questão de me lembrar. Obrigada Ricardo por não me deixares esquecer que a miséria existe.

É também verdadeiro o que se sente ao subir a Waina Picchu e ao olhares de cima Machu Picchu, ou veres o cenário de destruição deixado em Pisco pelo terramoto e até a imponência do deserto. É certamente um país magnífico, mas por favor... o Titicaca só existe na tua imaginação!

Não deixo de recomendar Paracas e as Ilhas Ballestas, Cusco e Arequipa. Tudo o resto é paisagem...