(entre outras coisas traz-me saudades de casa)
sexta-feira, 2 de março de 2018
Recentemente visitei o Rwanda e a República Democrática do Congo.
Já vejo corações a palpitar e também já sei, foi uma irresponsabilidade. Dizem todos o mesmo. O Congo é um país em conflito, tem milhares de migrantes internos e para os países contíguos, não se conseguem distinguir os milicianos dos rangers do Parque Nacional de Virunga ou dos outros militares, etc. etc..
O Congo é um dos países mais ricos do mundo, vetado a uma pobreza extrema. Um contrasenso total.
Milhares de crianças povoam as ruas de Goma, na região do Kivo na fronteira com o Rwanda, num cenário que me fez lembrar em tudo Angola: bagunça, sujidade, lojas que vendem tudo, motas por todo o lado, pessoas em todo o lado. A única diferença é a forte presença das Nações Unidas , onde um contingente de 18.300 capacetes azuis se faz notar a cada esquina.
O parque nacional de Virunga é aparentemente seguro e tranquilo, ou talvez seja a doçura dos Gorilas e a assombro de olhar para um vulcão activo que nos fazem esquecer os riscos a que estamos sujeitos em tal ambiente. Nas estradas essa sensação dissipa-se, há barricadas em todas as vilas com postos de controlo, és acompanhado por um ranger armado durante todo o percurso e precisas de autorização para atravessar os postos de controlo, milhares de pessoas vestidas com fardas militares, capacetes azuis a cruzarem a alta velocidade e helicópteros a sobrevoarem o parque. Se a experiência value a pena? Sim, valeu, principalmente se pensar que provavelmente quando os meus filhos tiverem idade para visitar o PNV já não haverá gorilas de montanha.
Bom adiante, tudo isto para falar sobre os clichés de África.
O choque.
Houve duas coisas que me chocaram nesta viagem, profundamente devo dizê-lo. O primeiro foi o museu do genocídio em Kigali, que relata ponto por ponto, cronologicamente, as raizes do genocídio e a sua perpretação. É angustiante ver a origem da natureza humana e pensar que realmente somos feitos de ódio. No fundo, somos todos bons, mas fervilhando em ódio. Só precisamos de um motive para deixar escapar cá para fora a nossa verdadeira essência. Estima-se que cerca de 1.000.000 de pessoas tenham sido chacinadas (usando entre outras catanas, machados e outras armas rudimentares), 2.000.000 de mobilizados nos países contíguos e cerca de 500.000 órfãos. Os relatos são na primeira pessoa e são devastadores. Houve delações de amigos, vizinhos, familiares e participação dos mesmos no genocídio. Não sei como se sobrevive a isto. Tu mataste o meu filho, tu delataste-nos, fiquei órfão, perdi tudo na vida. Como diz a música, it could be me, it could be you.
O mais inquietante é pensar que a paz actual poderá ser a prazo. Não se sabe quando, mas poderá ter um prazo.
A outra coisa que me chocou foi a percepção, nua e crua, do que significa alteração do uso do solo e desflorestação. O Rwanda, um país verde e magnífico, não tem um 1cm2 de área florestal, além dos Parques Nacionais e alguns polímeros, adivinhe-se, de eucaliptos. Toda a área está ocupada pelas populações para habitação e agricultura. É um choque brutal! montanhas inteiras ocupadas com casas, plantações de chá, pequenas hortas comunitárias e familiares. Nem um macaco nos interstícios. Aí entendi o que significa excesso de população e que é claramente o que esta a destruir o nosso planeta. É um cenário devastador, fiquei boquiaberta com tal.
Tudo isto serve para dizer que acho que temos que começar a investir no controlo populacional. O Rwanda é do tamanho do Alentejo e tem 10.000.000 de habitantes, a Tanzânia tem mais de 52,482,726 de habitantes (estimativa 2016), and so on and so forth... Aqui se vê que o nosso problema é excesso de gente no mundo. A Terra é um espaço limitado, não há espaço para todos, sobretudo não há recursos para todos. O maior problema associado a este crescimento exacerbado da população encontra-se relacionado com o facto de este ter lugar nos ditos países em desenvolvimento, onde não há orçamento para saúde, educação, planeamento familiar, apoio à maternidade, nem emprego. Estes países, em poucos anos, serão insustentáveis. O que vai acontecer às pessoas? o que nos vai acontecer a todos?
Um pedido só: quando assinam acordos, por favor cumpram-nos. Pode ser que nos salvemos da extinção.
Entretanto, também podemos tentar salvar estes bichos fofinhos chamados gorilas de montanha. Vá lá, se não se interessam pelo bicho homem pelo menos façam algo por este.
Já vejo corações a palpitar e também já sei, foi uma irresponsabilidade. Dizem todos o mesmo. O Congo é um país em conflito, tem milhares de migrantes internos e para os países contíguos, não se conseguem distinguir os milicianos dos rangers do Parque Nacional de Virunga ou dos outros militares, etc. etc..
O Congo é um dos países mais ricos do mundo, vetado a uma pobreza extrema. Um contrasenso total.
Milhares de crianças povoam as ruas de Goma, na região do Kivo na fronteira com o Rwanda, num cenário que me fez lembrar em tudo Angola: bagunça, sujidade, lojas que vendem tudo, motas por todo o lado, pessoas em todo o lado. A única diferença é a forte presença das Nações Unidas , onde um contingente de 18.300 capacetes azuis se faz notar a cada esquina.
O parque nacional de Virunga é aparentemente seguro e tranquilo, ou talvez seja a doçura dos Gorilas e a assombro de olhar para um vulcão activo que nos fazem esquecer os riscos a que estamos sujeitos em tal ambiente. Nas estradas essa sensação dissipa-se, há barricadas em todas as vilas com postos de controlo, és acompanhado por um ranger armado durante todo o percurso e precisas de autorização para atravessar os postos de controlo, milhares de pessoas vestidas com fardas militares, capacetes azuis a cruzarem a alta velocidade e helicópteros a sobrevoarem o parque. Se a experiência value a pena? Sim, valeu, principalmente se pensar que provavelmente quando os meus filhos tiverem idade para visitar o PNV já não haverá gorilas de montanha.
Bom adiante, tudo isto para falar sobre os clichés de África.
O choque.
Houve duas coisas que me chocaram nesta viagem, profundamente devo dizê-lo. O primeiro foi o museu do genocídio em Kigali, que relata ponto por ponto, cronologicamente, as raizes do genocídio e a sua perpretação. É angustiante ver a origem da natureza humana e pensar que realmente somos feitos de ódio. No fundo, somos todos bons, mas fervilhando em ódio. Só precisamos de um motive para deixar escapar cá para fora a nossa verdadeira essência. Estima-se que cerca de 1.000.000 de pessoas tenham sido chacinadas (usando entre outras catanas, machados e outras armas rudimentares), 2.000.000 de mobilizados nos países contíguos e cerca de 500.000 órfãos. Os relatos são na primeira pessoa e são devastadores. Houve delações de amigos, vizinhos, familiares e participação dos mesmos no genocídio. Não sei como se sobrevive a isto. Tu mataste o meu filho, tu delataste-nos, fiquei órfão, perdi tudo na vida. Como diz a música, it could be me, it could be you.
O mais inquietante é pensar que a paz actual poderá ser a prazo. Não se sabe quando, mas poderá ter um prazo.
A outra coisa que me chocou foi a percepção, nua e crua, do que significa alteração do uso do solo e desflorestação. O Rwanda, um país verde e magnífico, não tem um 1cm2 de área florestal, além dos Parques Nacionais e alguns polímeros, adivinhe-se, de eucaliptos. Toda a área está ocupada pelas populações para habitação e agricultura. É um choque brutal! montanhas inteiras ocupadas com casas, plantações de chá, pequenas hortas comunitárias e familiares. Nem um macaco nos interstícios. Aí entendi o que significa excesso de população e que é claramente o que esta a destruir o nosso planeta. É um cenário devastador, fiquei boquiaberta com tal.
Tudo isto serve para dizer que acho que temos que começar a investir no controlo populacional. O Rwanda é do tamanho do Alentejo e tem 10.000.000 de habitantes, a Tanzânia tem mais de 52,482,726 de habitantes (estimativa 2016), and so on and so forth... Aqui se vê que o nosso problema é excesso de gente no mundo. A Terra é um espaço limitado, não há espaço para todos, sobretudo não há recursos para todos. O maior problema associado a este crescimento exacerbado da população encontra-se relacionado com o facto de este ter lugar nos ditos países em desenvolvimento, onde não há orçamento para saúde, educação, planeamento familiar, apoio à maternidade, nem emprego. Estes países, em poucos anos, serão insustentáveis. O que vai acontecer às pessoas? o que nos vai acontecer a todos?
Um pedido só: quando assinam acordos, por favor cumpram-nos. Pode ser que nos salvemos da extinção.
Entretanto, também podemos tentar salvar estes bichos fofinhos chamados gorilas de montanha. Vá lá, se não se interessam pelo bicho homem pelo menos façam algo por este.
sexta-feira, 9 de setembro de 2016
Há mais de 3 anos que abandonei o meu blog.
Há 3 anos a minha vida deu uma reviravolta que me levou a abandonar a escrita e a dedicar-me a outras funções. Há 3 anos nasceu a minha filha.
Depois dela nascer, descobri outros predicados em mim, como por exemplo, que ser mãe é a melhor coisa do mundo e que até tenho jeito. Descobri que passo muitas mais noites acordada agora que as que passei nos wild years da minha vida.
Descobri que há coisas mais importantes que o trabalho. Descobri o que é ter uma família. Descobri que afinal consigo ser uma pessoa organizada, no meio do caos de fraldas, refeições, horários, escolas e actividades.
Depois desta revolução, mudadecasamudadevidamudadeempregomudadeestadomudadeprioridades, mudámos de oceano. Continuo do lado contrário, que por acaso continuo a achar ser o certo, mas noutro país: a República Unida da Tânzania.
Um país onde há um punhado de portugueses residentes (sabe-se lá a fazer o quê) e umas centenas de descendentes de Goeses, de Damão e Diú. Pode dizer-se uma comunidade extensa, mas diversificada e bastante desagregada, que em nada se assemelha à experienciada em Angola, onde residiam cerca de 200.000 portugueses. Foi assim que perdemos o amparo da nossa rede: deixámos para trás os amigos que conquistámos nos últimos 7 anos, a casa recém mobildada, as carreiras e zarpámos. Se olhei para trás? Muitas vezes, mas aqui reconstruímos a vida, aprendemos a língua local, procurámos casa, comprámos mobília para a tornar nossa e pusemos umas andorinhas no alpendre para não nos esquecermos de onde viemos (e no princípio era o verbo...).
Por fim, abastecemos o frigorífico de bacalhau na primeira viagem a Portugal e cantamos canções do Zeca para embalar as crianças.
Agora já nos podemos sentar no sofá, olhar em redor e chamar-lhe lar.
Agora já tenho tempo para escrever. Esperemos.
Há 3 anos a minha vida deu uma reviravolta que me levou a abandonar a escrita e a dedicar-me a outras funções. Há 3 anos nasceu a minha filha.
Depois dela nascer, descobri outros predicados em mim, como por exemplo, que ser mãe é a melhor coisa do mundo e que até tenho jeito. Descobri que passo muitas mais noites acordada agora que as que passei nos wild years da minha vida.
Descobri que há coisas mais importantes que o trabalho. Descobri o que é ter uma família. Descobri que afinal consigo ser uma pessoa organizada, no meio do caos de fraldas, refeições, horários, escolas e actividades.
Depois desta revolução, mudadecasamudadevidamudadeempregomudadeestadomudadeprioridades, mudámos de oceano. Continuo do lado contrário, que por acaso continuo a achar ser o certo, mas noutro país: a República Unida da Tânzania.
Um país onde há um punhado de portugueses residentes (sabe-se lá a fazer o quê) e umas centenas de descendentes de Goeses, de Damão e Diú. Pode dizer-se uma comunidade extensa, mas diversificada e bastante desagregada, que em nada se assemelha à experienciada em Angola, onde residiam cerca de 200.000 portugueses. Foi assim que perdemos o amparo da nossa rede: deixámos para trás os amigos que conquistámos nos últimos 7 anos, a casa recém mobildada, as carreiras e zarpámos. Se olhei para trás? Muitas vezes, mas aqui reconstruímos a vida, aprendemos a língua local, procurámos casa, comprámos mobília para a tornar nossa e pusemos umas andorinhas no alpendre para não nos esquecermos de onde viemos (e no princípio era o verbo...).
Por fim, abastecemos o frigorífico de bacalhau na primeira viagem a Portugal e cantamos canções do Zeca para embalar as crianças.
Agora já nos podemos sentar no sofá, olhar em redor e chamar-lhe lar.
Agora já tenho tempo para escrever. Esperemos.
sexta-feira, 16 de agosto de 2013
Mutamba, mutamba mutamba
Andei pela primeira vez de Kandongueiro em muitos anos de Angola.
Não sei se este conta, porque estava lá dentro cheio de pulas, mas que faziam tanto barulho como os angolanos em hora de ponta.
O sentimento foi de euforia e de trabalho completo. Posso finalmente riscar da lista de coisas a fazer a 8º maravilha de Luanda, que é andar de kandongueiro.
e para quem não sabe o que é um kandongueiro, aqui fica a imagem de um (que além do mais leva ao extremo as questões do novo acordo ortográfico).
Não sei se este conta, porque estava lá dentro cheio de pulas, mas que faziam tanto barulho como os angolanos em hora de ponta.
O sentimento foi de euforia e de trabalho completo. Posso finalmente riscar da lista de coisas a fazer a 8º maravilha de Luanda, que é andar de kandongueiro.
e para quem não sabe o que é um kandongueiro, aqui fica a imagem de um (que além do mais leva ao extremo as questões do novo acordo ortográfico).
para quem não sabe dos poderes que tem:
leva gente, muita gente, a lugares impensáveis, onde nunca antes se chegara
domingo, 4 de agosto de 2013
O dia de hoje merece um registo. Porque começou da mesma forma de sempre, no meio do trânsito caótico para chegar a uma cidade desesperada.
Contudo, as expectativas de uma vida normal e saudável numa cidade desesperada como Luanda, são uma cada vez maior utopia.
Seguia do Kinaxixi para os Combatentes, naquela via que está metade ocupada com uma obra que dura há meio ano e não ha forma de terminar, quando passa um carro da polícia, que levava detidos dois "lavadores de carros". Dia de ficalização pensei.
Uns baldes na parte de trás do carro indiciavam o crime de lavar viaturas na via pública. Há outros crimes passíveis de punição na via pública, tal como zungar para poder pagar o jantar dos filhos. Quando conversava a pessoa que me acompanhava sobre esta situação e o facto de a vida em Luanda sem impossível sem as zungueiras e vendedores de rua, pois sejamos realistas ninguém vai ao Panguila comprar fruta e tabaco para a semana, apercebemo-nos de que a mesma fiscalização está 20 m à frente a tentar deter uma mulher que vendia na rua.
Esta situação criou uma convulsão social. De um lado os vendedores de rua, do outro os polícias.
Sucede que os vendedores são muitos mais, e quando se trata de jogar ao jogo da corda com a Zungueira, conseguiram resgatá-la da polícia. A situação começou a aquecer, não houve panelas no ar, mas muita gente a xinguilar. Todos sabemos como reage uma matilha, ataca em conjunto. Foi o que aconteceu e os números fizeram-se valer.
A polícia faz com que a população furiosa disperse, mas não para muito longe. A uma distância que possibilitasse o aremesso de pedras para a viatura da polícia e das que estava à volta. O caos instalou-se, os carros tentavam recuar mas a fila já devia chegar à Mutamba. Não havia escape possível. As pessoas abandonavam os carros em pânico...Até que a polícia desistiu.
Saldo: carro da polícia destruído assim como os da envolvente. De quem é a culpa... aqui, morre sempre solteira.
Ainda tive tempo de ouvir pelo canto do ouvido dizer quem me ladeava: O povo anda muito descontente.
Mas nãos nos preocupemos, eles são só 300.
Contudo, as expectativas de uma vida normal e saudável numa cidade desesperada como Luanda, são uma cada vez maior utopia.
Seguia do Kinaxixi para os Combatentes, naquela via que está metade ocupada com uma obra que dura há meio ano e não ha forma de terminar, quando passa um carro da polícia, que levava detidos dois "lavadores de carros". Dia de ficalização pensei.
Uns baldes na parte de trás do carro indiciavam o crime de lavar viaturas na via pública. Há outros crimes passíveis de punição na via pública, tal como zungar para poder pagar o jantar dos filhos. Quando conversava a pessoa que me acompanhava sobre esta situação e o facto de a vida em Luanda sem impossível sem as zungueiras e vendedores de rua, pois sejamos realistas ninguém vai ao Panguila comprar fruta e tabaco para a semana, apercebemo-nos de que a mesma fiscalização está 20 m à frente a tentar deter uma mulher que vendia na rua.
Esta situação criou uma convulsão social. De um lado os vendedores de rua, do outro os polícias.
Sucede que os vendedores são muitos mais, e quando se trata de jogar ao jogo da corda com a Zungueira, conseguiram resgatá-la da polícia. A situação começou a aquecer, não houve panelas no ar, mas muita gente a xinguilar. Todos sabemos como reage uma matilha, ataca em conjunto. Foi o que aconteceu e os números fizeram-se valer.
A polícia faz com que a população furiosa disperse, mas não para muito longe. A uma distância que possibilitasse o aremesso de pedras para a viatura da polícia e das que estava à volta. O caos instalou-se, os carros tentavam recuar mas a fila já devia chegar à Mutamba. Não havia escape possível. As pessoas abandonavam os carros em pânico...Até que a polícia desistiu.
Saldo: carro da polícia destruído assim como os da envolvente. De quem é a culpa... aqui, morre sempre solteira.
Ainda tive tempo de ouvir pelo canto do ouvido dizer quem me ladeava: O povo anda muito descontente.
Mas nãos nos preocupemos, eles são só 300.
sábado, 20 de abril de 2013
À roda da vida
Há momentos na nossa vida, cujas fotografias equivalem por mil palavras, porque as primeiras deixam de ser ditas e as segundas permanecem.
De repente faz-se um silêncio na nossa vida, que é preenchido de muitas outras formas, cores e texturas que desconhecíamos. Mas passamos a conhecer e a reconhecer nos outros os mesmos padrões.
São estes pequenos momentos que alavancam a mudança, são pequenos momentos (porque são curtos no tempo, mas longos na memória) como estes que te fazem recomeçar quando pensávamos que estava tudo feito.
De repente faz-se um silêncio na nossa vida, que é preenchido de muitas outras formas, cores e texturas que desconhecíamos. Mas passamos a conhecer e a reconhecer nos outros os mesmos padrões.
São estes pequenos momentos que alavancam a mudança, são pequenos momentos (porque são curtos no tempo, mas longos na memória) como estes que te fazem recomeçar quando pensávamos que estava tudo feito.
quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013
À água o que é da água.
Nunca este ditado teve tanto significado como em Angola.
De repente o céu faz-se de noite e as gortas começam a cair. Primeiro a brincar, como se fossem crianças a salpicar, depois mais aventureiras como os adolescentes que enfrentam tudo, por fim como se o fim do mundo estivesse por trás daquela pedra, que hoje se tranformou em cascata.
Quando a chuva é tão forte que não consegues ouvir os teus pensamentos... Sabes o que é? É aquele momento em que pairas, e lá trás, e a toda a volta e mais adiante só se ouve o rugir da água e uma melodia escondida.
http://youtu.be/SWSz_PAfgNc
a música de (quase) todas as viagens
Quando já quase nada tem direitos, eis que uma simples molécula reclama a si tudo o que de direito lhe pertence.
domingo, 14 de outubro de 2012
terça-feira, 9 de outubro de 2012
pelos ares
Eis-me de novo sentada numa sala de espera de um aeroporto.
Este ano já lhes perdi as contas, mas pelo menos 16 veze me sentei e levantei destes locais míticos. Não há nada de marcante, todos são semelhantes, todos nos lembram que há outro lado do mundo.
Por coincidência, são quase todos "emergentes" o que equivale a dizer, muita parra e pouca uva.
Sucede que devido às sucessivas mudanças de escalas, aeroportos, hospedeiras (umas mais outras menos sorridentes), perdi o medo e a ansiedade de viajar.
Logo que entro no avião, durmo. Não me interessa para onde vou, se parto ou regresso, se tomo ou não o pequeno almoço (o meu preferido é a sandes de beringela da TAP), não conheço os meus vizinhos, não vejo os filmes...
Acontece que desisti de me preocupar... por isso simplemente vou onde me levam. Ou para chegar, ou para partir, mas sempre sabendo que tenho alguém à minha espera.
Agora, é hora de descolar
VRUUUUUUMMMMMMMM
Aqui vou eu!
sexta-feira, 18 de maio de 2012
Campeonatos de surrealidade
Estamos a falar de um país cuja segunda principal causa de morte é a estrada.
Não que ela desabe, ou o traçado seja perigoso ou nos engula, mas porque simplesmente há demasiada gente perigosa nela.
A seguir à Malária, os acidentes de viação são a segunda causa de morte em Angola. Considerando que é surreal morrer de paludismo no século XXI o que pensar destes números da estrada? Mas adiante, não se trata esta a questão.
Já assisti a acidentes que contrariam todas as leis da física e que nem respeitam a lei da gravidade, já assisti a mais atropelamentos mortais em 5 anos que nos restantes 30 da minha vida. Mas adiante.
Não deixo de me surpreender quando ouço na rádio que em Menga, Município do Wako Kungo, houve um embate frontal entre um camião e uma toyota Dyna.
Deste acidente resultaram 37 mortos e 11 feridos. Conclusão, o motorista do camião ia demasiado depressa. A minha pergunta é: porque é que ninguém se questiona porque estavam 48 pessoas na caixa de uma Dyna?
Como alguém muito sábio disse: "aqui morre-se à toa porque se quer!"
sexta-feira, 4 de maio de 2012
Campeonatos da Surrealidade
Decidi dedicar os próximos capítulos ao que chamo Campeonatos de Surrealidade.
Por poder parecer algo que não, passo já a explicar: é o termo que aplico à realidade Angolana. Todos os dias tenho campeonatos da surrealidade para participar.
Então aqui fica o primeiro.
1. Passeio em Benguela, Sábado de manhã depois de uma semana de cão de trabalho, uma gastroenterite e vários kilos de pão ingeridos, decido sair de casa para tomar um café.
Enquanto percorro a marginal de Benguela, observando as belas casuarinas da Praia Morena ansiando que o Porta-aviões estivesse aberto às 9:30 da manhã. Enquanto absorvia todo o silêncio matinal, começo a ouvir um som irritantemente familiar. Parei para melhor escutar: sim, é verdade, era o som das carrinhas Family frost. Aquelas que incendeiam os Verões em Portugal e que me perturbam até à exaustão.
Sim, esse famigerado furador de tímpanos (sei que estão todos a trautear a mela melodia). Fiquei à toa, sem perceber de onde vinha, a querer fugir do som diabólico quando me apercebo que o som vinha de uma geleira com rodas empurrada por um vendedor de rua. Sim, uma dessas de venda de bebidas frescas e gelados...
Estupfacção e medo, caríssimos. Por isso vos digo, debaixo da mais pequena pedra vem o perigo!
quinta-feira, 19 de abril de 2012
Correr para querer (mais)
Lições de vida: a Argentina em 2 semanas!

Não é uma lição de vida, é impossível. Esta é logo a primeirissima ilação a tirar.
Segunda lição, não confiar no que nos dizem os Aregentinos, bem me diziam as minhas amigas Madrilenas... Infelizmente não ouvi os vossos conselhos.
3ª lição, ler o Guia com atenção antes de fazer os primeiros 1000km de carro.


Enfim, o programa só tinha uma entrada e uma saída: partida de Mendoza, retorno a Mendoza.
Como veremos ao longo deste enorme capítulo, tal nãos e mostrou exequível. Mas acho que só na minha cabecinha (e no guia michelin) conseguiria percorrer a Ruta Nacional 40 entre Mendoza e El Calafate em 30 horas...
Os km são mais que muitos, as estradas mais que longas, as paisagem a perder de vistas, mas no final de tudo resta-me uma felicidade sem fim.
Sem fim de 7.700km brutais, entre os Andes e a Costa, entre o frio glaciar e as Pampas polvilhadas de amarelo, entre o infinito dos lagos e os milénios dos Alerces...
Sei que outro tanto ficou por ver, mas as aventuras num Chevrolet corsa retornarão noutro formato em 2014!
Aqui ficas as imagens, porque não consigo dizer apenas 1000 palavras.


5*5
5 é um número certo. Certo como cerrar a mão e formar um punho em força. 5 é um número de força, 5 é uma redundância.
5 dedos da mão conto de anos que estou em Angola.
Nestes 5 anos de vida, porque aqui tive começar outra vida, vivi muita coisa... para ser lembrada e para ser esquecida.
Em 5 anos, percorri 3 continentes: visitei África, visitei a América e voltei à Europa. Deu tempo para dar a volta à terra que nos viu nascer, deu tempo para dar a volta à vida.
Por vezes penso no que levo eu daqui: certamente um bom punhado de amigos, de memórias e muitas aventuras. Muitas e muitas por contar, mas muitos as hão um dia de contar por mim.

sábado, 10 de março de 2012
Para além do arco-íris
Eu vi com estes olhos que a Terra um dia há-de comer, da água brotar um arco-íris. Para ser mais precisa, não era um, eram dois.
Duas perfeitas arcadas delineavam o ar no local onde o mundo parecia estara ser engolido.
Muitas vezes penso na frase de Brecht: "do rio que tudo arrasta se diz violento, mas ninguém diz violentas as margens que o comprimem". Aqui olhei o rio a transbordar as margens que o oprimem, pensado como é brutar a força da Natureza.
Como somos pequeninos numa paisagem tão maior que nós.
Sentada no Zimbabwé, numa qualquer pedra onde antes se sentou certamente Dr. Livingstone, senti-me assoberbada por aquilo que a Natureza nos reserva.
Correndo o risco de parecer a minha avó, só me ocorria que de facto não somos nada. Que no meio do curso de um rio desponte a maior queda de água do Mundo e que depoi
s disso o Zambezi continue a vaguear, entre meandros, até chegar a Moçambique.
As Quedas Vitoria estranguladas entre o Zimbabwé e a Zâmbia, são um dos Highlights de África.
Depois um dia ter pisado aquelo território avassalador, nunca mais a nossa percepção da Natureza é a mesma.
Debaixo de uma chuva permanente causada pela condensação da água da queda, quase não se consegue respirar. Não há coração que não vacile em Victoria Falls. Parte do meu ficou por lá, nesse canto de África.
Alguns registo, poucos porque por cobardia não quis estragar a máquina.
domingo, 8 de janeiro de 2012
Era uma vez um lugar chamado São Tomé e Príncipe
Sempre ouvi o meu pai dizer que se houvesse um paraíso na terra, este seria São Tomé e Príncipe.
Quando somos novos tendemos a menosprezar o que os nossos pais nos dizem.
Quando cresci apercebi-me que não vou para o Paraíso quando morrer, por vários motivos alheios a esta conversa, e assim decidi que iria procurá-lo em vida.
Agora que a idade me deu a oportunidade de dar uma oportunidade aos meus pais, decidi ir a São Tome e Príncipe já que era aqui ao lado e tinha amigos disponíveis.
Mais uma vez não tive tempo de preparar a viagem, mas não há nada que um guia e uns amigos no local não resolvam.
E assim foi, parti a São Tomé e Príncipie no dia 6 de Novembro de 2011, em busca do último reduto de paraíso na Terra.
A chegada a São Tomé é deliciosa, de repente o azul do mar passa a ser turqueza e de repente suspende-se a respiração e é um encantamento total.
A aterragem não é pacífica, mas longe dos relatos infernais do século passado.
Chegando em Novembro ainda não se faz sentir o impacto do calor e da humidade e o ambiente está muito agradável.
O primeiro que salta à vista é o azul, rectificando, os vários azuis. Há azul turqueza, azul água, azul céu, azul escuro, azul-esverdeado, azul acinzentado.
Depois as nuvens, ora cinzentas ora brancas, sempre a ocupar todo o espaço livre. o que resta, fica a cargo da humidade...
São Tomé e Príncipe impressiona e arrepia.
Arrepia o silêncio das noites nas roças sem electricidade (obrigada sr. Januário da Roça de Belo Monte) que nos proporcionou um quarto na sua fazenda e um belo pequeno almoço.
Nas Roças, é preciso avisar com antendência a chegada. Os recursos são parcos e o gerador mantém-se desligado bem como o gás do fogão, a não ser que anunciem a chegada.
O cheiro de café que atordoa o ar durante a noite nas fazendas iluminadas pelas estrelas.
Antes de chegarem a Belo Monte, recomenda-se um pit stop em Neves para uma Santola. O lugar tem o mesmo nome, mas não é bem um restaurante... é mais um tasco, com renome mundial, mas um tasco.
A Santola é o prato do dia e tem que ser acompanhada pela Sorema de 600ml. Os resultados podem ser catastróficos, mas o bem que sabe!
A recompensa dos audazes! um prato de santolas.
Na mesma rota, antes de chegar a Neves, passa-se pela Praia Azul.
água faz jus ao nome. Imagine-se que parece a Irlanda, mas com Embondeiros.
A Aventura pelo interior da Ilha vale a pena. entre curvas e contra curvas e caminhos de cabra mais ou menos apertados, acabámos por chegar ao Parque Nacional do Obo. Não acredito que muitos turistas consigas fazer este percurso, o qual só fizemos pela persistência do nosso homem e porque em vez de encontrar uma queda de água, encontrámos uma estação de tratamento de água. Uma coisa levou a outra e um túnel cheio de morcegos demoveu-nos de chegar mais longe. 
Não me perguntei por onde fui, só sei que não fui por aí... Por entre veredas.
Agora o Príncipe.
Se São Tomé é deslumbrante, o Príncipe assusta. É como São Tomé mas em estado bruto. Segundo o Guia Santo António é a mais pequena cidade do mundo digna desse nome. A Ilha é minuscula e apenas o Ilheu Bombom parece atrair turistas.
Mas uma visita à Fazenda Sundy e à praia Banana já pagam esta viagem e claro, os mil e um sorrisos das crianças.
Em Santo António conhecemos um casal Sul Africano que se encontra neste remonto lugar do mundo a ensinar inglês às criançsa Santomenses. Qual a finalidade, interrogo-me quando vejo que nem salas de aula têm, nem quase nada do que consideramos básico.
Pelo turismo e porque um excêntrico milionário comprou quase tudo neste pequeno paraíso terreno para direccionar a ilha para o turismo.
Das salas de aula ficou-me a saudade da escola primária. Olhei e vi as minha carteira.
De Príncipe, fica também a chuva, que molha tolos e os outros também e quase não deixa levantar o avião que nos levaria para São Tomé.
De São Tomé e Príncipe, fica uma vontade de volta para as coisas da terra, os sabores do peixe, os "mosquitos" no arroz, as folhas de micóco (Acho que é assim), o cacau, a banana, a fruta pão, os sorrisos e a certeza que com muito, mas muito pouco se pode fazer um mundo melhor. Todos os dias!
Em São Tomé seria bom olhar para o futuro...
Resta-me dizer: querido pai, tinhas razão!
sábado, 26 de novembro de 2011
às voltas do Equador
Já não escrevia desde as minhas últimas andanças pelo outro lado do Atlântico, mas parecem agora os únicos momentos que me fazem escrever.


Os momentos dos caminhos palmilhados.
Último destino, São Tomé e Príncipe, ou o último paraíso na Terra como também é conhecido.
E para prová-lo, ficam algumas imagens.
terça-feira, 19 de julho de 2011
O Peru Glu Glu
Vou contar a história sobre um país que existia na minha memória e desapareceu.
Durante anos planeei uma viagem monumental ao Peru. Não que fosse a primeira opção na América latina, mas parecia a mais plausível.
Durante anos plantámos na imaginação os lugares e as pessoas relatados nas Viagens de Che Guevara (Motorcycle Diaries de Walter Sales). Engane-se quem pense que é o mesmo que vai encontrar. De mochila às costas, partimos para uma viagem que acalentou os nossos sonhos...
Nós, os europeus, criámos no nosso imaginário um subcontinente de fantasia, onde o imaginário prevalece sobre tudo o resto. Um subcontinente de aventura, revolucionário, incontestavelmente vindo do país das maravilhas, onde a autenticidade é o mote.
Quando chegas ao Peru na realidade não encontras nada disso.
Encontras sim um país onde o turismo domina todo o espaço. Um país onde te vendem a ideia de ser demasiado perigoso e onde ficas rendido ao mercado incessante dos operadores turísticos que te levam onde todos os outros vão. Chegas a ficar sufocada!
Não vês certamente o que Walter Sales te mostrou, tudo parece isento de autenticidades, excepto os bairros da lata de Lima como alguém fez questão de me lembrar. Obrigada Ricardo por não me deixares esquecer que a miséria existe.
É também verdadeiro o que se sente ao subir a Waina Picchu e ao olhares de cima Machu Picchu, ou veres o cenário de destruição deixado em Pisco pelo terramoto e até a imponência do deserto. É certamente um país magnífico, mas por favor... o Titicaca só existe na tua imaginação!
Não deixo de recomendar Paracas e as Ilhas Ballestas, Cusco e Arequipa. Tudo o resto é paisagem...
terça-feira, 31 de maio de 2011
Volta a Angola em 34 anos
34 anos é muito tempo...Uiiii, tanto tempo.
Em 34 anos dá muito tempo para ter medo, para ter saudades, para desisitir e por fim, ultrapassando tudo isso, regressar e assim regressou a minha família. É tempo para sarar algumas feridas e ganhar coragem. Faz-se o tempo de vontade.









A viagem terminou com um profundo e convicto: "Agora venho cá mais vezes" Ah Sorte...
O primeiro contacto com a terra foi emocionante... Como ainda tinhamos tempo a minha mãe pediu-me para passar nalguns locais.
Em 34 anos dá muito tempo para ter medo, para ter saudades, para desisitir e por fim, ultrapassando tudo isso, regressar e assim regressou a minha família. É tempo para sarar algumas feridas e ganhar coragem. Faz-se o tempo de vontade.
Tudo começou com a minha irmã mais nova, num desafio. Depois a do meio também alinhou. Daí até à mãe também decidir vir, com uma lagriminha no canto do olho que significava "vou voltar a ver a minha terra".Daí até serem comprados os bilhetes e tratados os vistos, já não havia retorno. Agora era para Angola e em força...(mas para uma outra luta).Depois planeei toda a viagem:
- Luanda, para marcar os trilhos, reconhecer locais, (re)ver caras conhecidas;
- Luanda, para marcar os trilhos, reconhecer locais, (re)ver caras conhecidas;
- tratar do bilhete da mais velha, que tem direito a ser cidadã;
- Benguela, parando nas quedas de água do Sumbe e percorrendo a estrada mais bonita de Angola.
- De Benguela ao Namibe;
- do Namibe ao Lubango;
- do Lubango até ao Huambo;
- do Huambo rumando a Malanje
-e por fim regresso a Luanda.
Tudo isto para cumprir em 2 pequenas semanas, com o único objectivo de suprir afectos. Afectos de lugares que não se esquecem e dos que se tudo faz por se esquecer, de rostos que permanecem nos lugares como que há espera que voltemos ao nosso canto, de árvores e quintais que diminuem de tamanho... de tudo isso e de um pouco de aventura se compôs está viagem. A aventura começou no dia 16 de Abril, pelas 6:00 quando o telefone trinou e uma voz do outro lado avisou: "Chegámos".
Depois de uma noite de kizombas e sentir uma bigorna na cabeça, levantei-me a correr cheia de mau-humor, mas no sentido do cumprimento do dever.
Dirigi-me ao aeroporto 4 de Fevereiro, onde aguardaei durante cerca de 30 minutos pelas princesas.
A partir daqui deixo as imagens falar.
O primeiro contacto com a terra foi emocionante... Como ainda tinhamos tempo a minha mãe pediu-me para passar nalguns locais.
Foi engraçado ver que passados 34 anos, a partir de um ou dois pontos de referência é possível reconhecer e refazer uma cidade.
Depois da volta de reconhecimento, partimos para Cabo Ledo, afastando a família para bem longe do burburinho e da confusão de Luanda. O tempo estava maravilhoso, o mar convidativo.
Depois da volta de reconhecimento, partimos para Cabo Ledo, afastando a família para bem longe do burburinho e da confusão de Luanda. O tempo estava maravilhoso, o mar convidativo.
sábado, 26 de fevereiro de 2011
o Mundo em que vivi
Fui criada num mundo dividido em dois. De um lado estavam os bons, os nossos, do outro estavam os maus.
De repente o mundo começou a mudar. Ruiu o Muro de Berlim, deixou de haver União Soviética, depois Jugoslávia. De repente já podiamos jogar Trivial porque não sabiamos como o mundo se chamava.
A partir daí começou a reorganização. Novos países, novos credos, novas políticas. Novos mundos, num mundo tão velho.
Depois as velhas feridas abriram e as guerras começaram: Balcãs, Golfo, Afeganistão, enquanto as guerrilhas continuavam.
Passados 10 anos da desmantelação da União Soviética, caem duas torres. Cairam muitas a seguir.
De repente olho em volta e não reconheço o Mundo em que Vivi.
Se o comunismo falhou, se o Capitalismo faliu, para onde caminhamos nós?
Olho para os Egiptos, Tunísias, Yemens, e não consigo perceber onde e como o Mundo vai parar!
Dou por mim a pensar que falta algo que faça sentido, mas o quê?
Continuo a não reconhecer o Mundo em que vivi...
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